Adeus
A despeito da beleza e profundidade do meu amor por ti tenho que lidar com a melancolia e o pesar escuro que acoberta minha alma por não tê-la. Seus cabelos encaracolados e seu olhar penetrante adornado por suas belas sobrancelhas jamais deixarão de habitar o lugar mais especial do meu ser. Assim como não permitirei que, em caso de eternidade lúcida, não nos encontremos no sempre. Afinal de contas precisamos nos conhecer melhor.
Eu devo prosseguir.
De certo todo início é precedido de um fim. Com o coração esmagado por um punho realizo a mais lúgubre constatação: você alcançou um fim nesse plano, caso existam outros. Enfim, preciso finalizar em mim a necessidade do leve som de sua voz e os delicados movimentos do seu corpo. Preciso me libertar da tristeza. Você deve partir.
Eu devo prosseguir.
Não compreendo os mecanismos que nos afastaram tão vorazmente. Por que? Esses simples vocábulos atinam minha alma desde a notícia de sua condição. Qualquer que seja a natureza das forças empreendidas em nos separar não permitirei que a busca por respostas me separe do viver. Não mais.
Eu devo prosseguir.
Inocentemente a esperança de ti instalada nas entranhas do meu âmago construiu uma fortaleza entre mim e o mundo. Essa fortaleza se desfaz a golpes de martelo. O peso desse instrumento me deixa exausto. Porém, o vislumbre das pequenas amostras surgidas a partir das ruínas me assustam mas...
Eu devo prosseguir.
Quando despenquei na consciência de sua profunda presença em mim soube que os simples termos piegas da humanidade não seriam suficientes para descrever meus sentimentos por você. Contudo, não disponho de outros, portanto, eis minha mensagem:
Meu amor por você guiou minha vida. Mas a partir de agora guiarei minha vida e salvarei meu amor por você para a possibilidade da eternidade e não mais para a possibilidade da vida. Adeus meu grande amor.

Um comentário:
Qualquer termo que eu pudesse usar aqui para descrever as sensações que esse texto me sugere seriam simples termos piegas da humanidade, incapazes de sustentar qualquer coisa por muito tempo. Assim como em respeito a alguém querido que nos deixou, velo seu texto com aquilo que suponho ser mais honroso e ainda mais sensível e respeitoso: meu silêncio.
Meu amigo, prossiga.
Postar um comentário